Quem é essa mulher, 36 anos depois – Paulo Totti, Valor, 30.09.11
Duas mulheres de fibra: Zuzu Angel Jones, nascida Zuleika, e Clarice Herzog, nascida Ribeiro Chaves. Da primeira, mataram-lhe o filho, Stuart Edgar. Da segunda, o marido, Vlado.
Naqueles tempos duros, a censura sufocava o choro, mas protestava-se por meio de metáforas, e algumas delas se alojaram entre as mais lindas da poesia brasileira. Chico Buarque e Miltinho, do MPB-4, num triste samba homenagearam Zuzu e lembraram o filho dela, morto aos 25 anos, em 1971. "Quem é essa mulher/ que canta sempre o mesmo arranjo:/ 'Só queria agasalhar meu anjo/ e deixar seu corpo descansar'?". Estilista famosa, costureira da sociedade carioca e, dizia-se, de Kim Novak, Liza Minelli e Joan Crawford, Zuzu tornou-se incômoda à ditadura. Moveu céus e terra, chegou à ONU com os reclamos pela recuperação do corpo do filho, torturado até a morte por oficiais da FAB na base aérea do Galeão. A identidade dos assassinos nunca foi revelada, nem encontrado o corpo de Stuart. Jogaram-no ao mar, dizia-se. Por isso, Chico fez mais os seguintes versos: "Quem é essa mulher/ que canta sempre esse estribilho:/ 'Só queria embalar meu filho/ que mora na escuridão do mar'?".
Aos 54 anos, em 1976, Zuzu morreu como personagem de novela. Seu Karmann Ghia capotou diversas vezes na estrada Lagoa-Barra, chocou-se contra a mureta de proteção e precipitou-se pelo barranco. A suspeita de sabotagem no sistema de freios do carro nunca foi apurada. Zuzu virou filme
Também protagonista involuntária daqueles tempos trágicos, dias, semanas, meses depois de Vlado ter sido assassinado nos porões do DOI-Codi de São Paulo, em 1975, Clarice ouvia ameaças sempre que o telefone tocava: "Judia fdp", "comunista", "matamos um e vamos matar o resto". Em sua porta havia sempre, dia e noite, um carro da polícia a bisbilhotar, intimidar. E Clarice Herzog virou música. "Chora a nossa pátria mãe gentil./ Choram Marias e Clarices no solo do Brasil", versos de João Bosco e Aldir Blanc na voz de Elis Regina.
1964, ano do golpe militar e do casamento civil de Clarice Ribeiro Chaves ( 22 anos) com Vlado Herzog (28)
Trinta e seis anos depois, Clarice está "À Mesa com o Valor", no Spadaccino, acolhedor restaurante da Vila Madalena, em São Paulo, onde se cultiva a boa tradição da comida bolonhesa e que ela sugeriu para este almoço. Clarice está esperta e saudável. Sobreviveu.
- Quem é esta mulher Clarice Herzog?
- Fiz ciências sociais na USP. Mas me digo publicitária porque trabalhei 25 anos em agência de publicidade, 21 deles na Standard Propaganda, que virou Standard Ogilvy e hoje acho que é só Ogilvy. Fiz parte do board, fui vice-presidente. Depois criei minha empresa. Nunca redigi ou vendi anúncios, também não fiz pesquisa eleitoral. Pesquisa qualitativa é a minha especialização até hoje. Tenho experiência em posicionamento de marcas, levantamento de informações junto ao consumidor para traçar a estratégia de comunicação dos clientes, entre eles muitas multinacionais. As marcas têm vida, sabe? Se disser que sou pesquisadora de mercado, ninguém vai saber o que isso significa. É mais fácil dizer que sou publicitária. Meu pai morreu sem saber direito o que eu fazia.
Durante a faculdade na rua Maria Antônia, célebre na época por conflitos entre os esquerdistas da USP e os direitistas da Universidade Mackenzie, Clarice conheceu Vlado, que concluia o curso de filosofia. Casaram-se.
- E como estão seus filhos?
- Ivo faz 45 anos exatamente hoje. E o André, com 43, está na Índia neste momento.
André é funcionário da área de urbanização do Banco Mundial em Washington. Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, fez mestrado e doutorado em Londres e Roterdã, e, a cada dois meses, passa três semanas na Índia, onde participa de um programa de urbanização de favelas. Há 11 anos só vem ao Brasil em férias.
Protesto silencioso: há sete dias da morte de Vlado, o cardeal dom Paulo Evaristo Arns e o rabino Henry Sobel participam, ao lado de Clarice, de ato ecumênico que superlotou a Catedral e a Praça da Sé
Quando morreu, em 25 de outubro de 1975, Vlado tinha 39 anos. Clarice, 33. E os filhos, 9 e 7 anos. "Ivo, o maiorzinho, ficou muito mal, precisou de terapia durante anos. Tinha idade para entender algumas coisas, mas não entendia tudo. Vlado morreu num sábado. Contei para os garotos na manhã de domingo. Disse que tinha sido um acidente de carro, mas essa versão não durou meio dia. A confusão em casa, os amigos, o velório, o enterro, a polícia. Tive de revelar que ele fora assassinado, coisa terrível para uma criança. Polícia mata bandido, o pai era um bandido? Um dia Ivo perguntou: 'O país do papai vai entrar em guerra com o Brasil?' Ele tinha ouvido que os militares do Brasil estavam em guerra. 'Por isso mataram meu pai?' Os garotos sabiam que Vlado era filho de judeus, que nascera na Iugoslávia, e isso em casa, até então, era uma coisa natural."
Vlado Herzog, como se sabe, nasceu em Osijek, na Croácia, que então pertencia à Iugoslávia ocupada pela Alemanha nazista. O casal judeu Zigmund e Zora Herzog fugiu para o Brasil em 1940, com o único filho, de 3 anos. Ao atingir a maioridade, Vlado naturalizou-se brasileiro e passou a assinar Vladimir - "nome mais afinado com os trópicos", dizia. Mas os amigos continuaram a chamá-lo de Vlado, como se fosse um diminutivo.
Ivo levou anos para recuperar-se do trauma. Com o ingresso familiar reduzido apenas ao seu próprio salário, Clarice cortou fundo as despesas, mas preservou o suficiente para o acompanhamento psicológico do filho.
Formado em engenharia naval pela Faculdade Politécnica da USP, Ivo fez MBA em logística nos Estados Unidos. Trabalhou nessa área até metade deste ano, quando resolveu largar tudo para dedicar-se integralmente ao Instituto Vladimir Herzog. Criado em 2009, o instituto, segundo seu site, pretende "contribuir para a reflexão e a produção de informação voltada ao Direito à Justiça e ao Direito à Vida". Ao ato de seu lançamento compareceram o então governador de São Paulo, José Serra, e o ministro de Direitos Humanos, Paulo Vannucchi. Os hoje ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso gravaram mensagens de apoio. "O instituto é ideia do Ivo". diz Clarice.
A redação vazia de “O Estado de S. Paulo” às 16h40 do dia 3 de novembro de 1975: os jornalistas estavam na Sé
Gunnar, carioca robusto, cabelos e bigodes brancos, que chegou ao restaurante acompanhando Clarice, esclarece: "Ivo criou o instituto não para celebrar a morte do pai, mas para a celebração da vida dele, das coisas que Vlado fazia e pensava: direitos humanos, democracia, justiça, liberdade de expressão".
Quem é Gunnar? Gunnar Cairoba, bisneto de alemães, neto de suecos e escoceses, filho de sueca e brasileiro, conheceu Clarice em 1977. Ele trabalhava na área de atendimento a clientes da MPM Propaganda, no Rio. E ela na Ogilvy, em São Paulo. Desde então estão juntos. Formado em administração de empresas, Gunnar hoje é responsável pela área administrativa da Clarice Herzog Associados. Vlado e Gunnar não chegaram a se conhecer.
Repórter: A dedicação de Clarice à memória de Vlado nunca criou problemas entre vocês?
Gunnar: Separo as duas coisas. Sei que esse espaço é da Clarice, que ela precisa desse espaço. Não interfiro, mas estou sempre do lado dela.
Clarice: Logo depois de começarmos a namorar, estávamos em Nova York, era o governo de Jimmy Carter. Eu disse para o Gunnar: "Vou a Washington fazer uma denúncia, você fica aqui. A morte do Vlado é meu problema". E ele disse: "Se eu for ficar com você, é meu problema também". E foi junto, deu força.
Somos quatro à mesa: Clarice, Gunnar, a fotógrafa Ana Paula Paiva e o repórter. Foi de Gunnar a sugestão do vinho tinto - um bem comportado Rupestro Úmbria 2009, leve mescla de merlot (80%) e sangiovese - para acompanhar o prato executivo do dia: ravióli de carne ao molho pesto genovês, com entrada de salada verde temperada com vinagre branco, mel e manjericão. Clarice pede tão somente insalata ficchi, uma salada verde com figos recobertos por fina crosta dupla de pão e farinha de trigo, e pequeninos cubos de ricota levemente picante, tudo encimado por uma flor comestível, violácea e saborosa, que Paula Lazzarini, a proprietária do Spadaccino, diz chamar-se capuchina. O repórter gostou do visual e substituiu a salada do menu executivo por meia salada de figos. Delícia!
Ivo e André nasceram em Londres, onde Vlado foi trabalhar na BBC e fazer um curso de documentarista de TV [o jornalista foi crítico de cinema no "Estado de S. Paulo", professor na Escola de Comunicação e Artes da USP, e filmou "Marimbás", documentário sobre pescadores do Posto Seis, no Rio - "cinema verdade", como era moda]. Estavam em Londres havia dois anos e meio quando decidiram voltar. Era 1968. Clarice veio antes, de navio, com os filhos. Vlado viria em 15 de dezembro. Mas no dia 14 leu nos jornais: "Endurece a ditadura militar no Brasil". No dia anterior saíra o ato institucional nº 5, o mais feroz dos atos que a ditadura publicou no "Diário Oficial" - houve outros, não documentados. Mas Vlado adiou a volta apenas por uma semana. Trabalhou então no "Estado de S. Paulo", na "Visão" e em 1975 estava na TV Cultura.
Enquanto isso, Clarice iniciava sua vida de "publicitária". "Cheguei no porto de Santos e duas amigas já me esperavam para dizer que tinham me arrumado emprego na Lintas, uma "house agency" da Unilever".
Estava há um ano na Ogilvy, quando Vlado foi morto. Dias depois, Jimmy Benson, o diretor da empresa para a América Latina, chamou-a para conversar. "Confesso que tive medo, era uma multinacional americana e eu a viúva de um cara que a polícia dizia ser membro do Partido Comunista Brasileiro..." Benson foi direto ao ponto: "Quero lhe dizer que, se quiser sair do Brasil, consigo espaço para você em qualquer lugar. Nossa agência está em muitos países do mundo". E comentou: "É impressionante a gente ver este país colorido, alegre, pessoas na rua cheias de vida, e não se sabe que nos bastidores acontecem essas brutalidades". Clarice preferiu ficar. E ficou por mais 20 anos na Ogilvy.
"Foram comoventes as manifestações de solidariedade. Pessoas que apenas encontrava na porta da escola quando ia levar meus filhos apareceram lá em casa. Velhos amigos reapareceram. Colegas de Vlado se mobilizaram no sindicato, nas redações dos jornais. Teve também o outro lado, pois alguns que considerava amigos de repente sumiram. É a vida."
Trabalhadora desde muito jovem, Clarice Herzog está esperta e saudável. Sobreviveu.
Em outubro de 1975, amigos de Vlado e jornalistas que tinham trabalhado com ele na revista "Visão" começaram a ser presos. Vlado previu que seria o próximo. Já era sexta-feira e Clarice sugeriu que, terminado o trabalho de Vlado na TV, colocado o noticioso da noite no ar, casal e filhos fossem diretamente para seu pequeno sítio em Bragança Paulista e só voltassem na segunda de manhã. Clarice iria de carro apanhá-lo na TV. "Ser preso no fim de semana é um problema. Você não consegue contato com ninguém, o advogado está viajando, está tudo desarticulado", comentou com Vlado. Mas a polícia chegou antes. Um dos presos, torturado, indicara o endereço de Vlado. "Anoitecia quando os caras bateram lá em casa. Não se identificaram e disseram que procuravam o Vlado para encomendar um trabalho de 'free lancer', queriam que fotografasse um casamento no fim de semana. Falei que ele não era free lancer, tinha emprego fixo na TV Cultura e não era fotógrafo. Falaram: 'Mesmo assim, precisamos falar com ele. Onde é a Cultura?' Disse que sabia ir até lá, mas não tinha o endereço. Eles disseram: 'A gente se vira', e foram embora".
Clarice ligou imediatamente para o marido que estava pronto para colocar o noticiário no ar. "Eles etão indo para aí, mas acho que chego antes". Pegou os filhos e partiu. Chegou na TV e os "caras" já estavam lá. Os filhos testemunharam a discussão com os policiais - já aí assumidos - e ficou claro que estavam ali para prender seu pai. A intervenção de colegas, telefonemas "para a central", "consultas às autoridades", resultaram na suspensão da prisão imediata e o compromisso de Vlado comparecer ao DOI-Codi no dia seguinte. Vlado dormiu em casa e às 8 da manhã chegou ao Paraíso, o bairro onde ficava o prédio do DOI-Codi, na rua Tutoia. Pouco depois do meio dia estava morto.
Ainda na manhã de sábado, Clarice teve de contar para dona Zora que o filho dela estava preso. Clarice lembra que procurou não assustar a sogra, disse que não era como na época do nazismo na Croácia. Apreensiva, Dona Zora - o marido, Zigmund, morrera em 1972 - foi dormir na casa de um irmão. "Às 11 da noite, quando apareci na casa do irmão dela, nem precisei abrir a boca. Ela me viu e começou a chorar." Dona Zora, segundo Clarice, foi de grande coragem e dedicação à nora e aos netos. "Todo o amor que tinha para o marido e o filho transferiu para nós. Cuidou de nós até morrer, em 2009. Quando casei com Gunnar, ela passou a chamá-lo de genro." Gunnar acrescenta com bom humor: "Casado com minha nora só pode ser meu genro, não é?"
Clarice ganhou na Justiça um rumoroso processo de responsabilização do regime militar pela prisão, tortura e morte de Vlado. Seria o caso óbvio de ação indenizatória. Clarice, porém, não queria reduzir a perda do marido a uma questão financeira. "Recebe a indenização e o processo acaba? E quem matou fica livre?" Além disso, admite hoje, não lhe importava que a considerassem judia, o que ela não devia era reforçar a maledicência do preconceito: "O corpo nem esfriou e a judia já vai em busca do ouro".
Clarice e Gunnar, juntos há mais de 30 anos. "A morte de Vlado é meu problema também (Gunnar)"
Clarice não tem ascendência judaica. É paulistana do bairro de Pinheiros, filha de católicos, o pai um engenheiro da construção civil, e a mãe, costureira. Na história familiar de Clarice há um episódio de violência e morte na luta contra ditaduras. Um tio, irmão de sua mãe, preso durante o Estado Novo no presídio Maria Zélia, em São Paulo, organizou a fuga com outros presos políticos. "Alguém dedurou e eles foram simplesmente metralhados. Meninos de vinte e poucos anos! Meu avô ficou de cabelo branco de um dia para outro; entrou com processo, mas resultou em nada. Cresci com ódio do Getúlio."
Dois advogados que Clarice consultou em São Paulo, para que também a morte de Vlado não ficasse sem punição, aconselharam-na a desistir de ações contra o regime. Um deles escapuliu-se à responsabilidade de enfrentar os militares fazendo-se de radical: "Os crimes são tão hediondos que teremos que esperar um novo Tribunal de Nuremberg".
Foi então que o jornalista Zuenir Ventura, colega de Vlado na "Visão", levou-a a conversar com Heleno Fragoso, no Rio. O veterano criminalista aceitou a causa e convocou para auxiliá-lo três jovens advogados especialistas em processo civil - Samuel Mac Dowell de Figueiredo, Marco Antonio Barbosa e Sérgio Bermudes [ver entrevista deste último em "À Mesa com o Valor", Caderno Eu & Fim de Semana, edição de 25, 26 e 27 de fevereiro de 2011]. Em 1978, dois juízes da 7ª Vara da Justiça Federal, João Gomes Martins Filho, de 70 anos, em seus últimos dias de magistratura, e o jovem de 32 que o substituiu, Márcio José de Moraes, deram ganho de causa a Clarice. O Tribunal Federal de Recursos. confirmou a sentença. Agora, Clarice bate às portas do Tribunal de Haia. A ação é para condenar o governo a investigar e punir os responsáveis pela morte de Vlado, atribuída pela polícia a "suicídio".
- Por que não usou a Justiça brasileira?
- Tentei usar, mas uma juíza considerou coisa já decidida em função da Lei de Anistia, sancionada em plena ditadura, 1979, pelo general João Figueiredo. A lei é uma aberração!
Já são mais de três horas e foi servida a sobremesa da fórmula executiva: musse de tourrone, frutas cristalizadas, mel, calda de frutas vermelhas. Clarice, que declinou do sorvete, precisa ir trabalhar. "Trabalho 12 até 13 horas por dia. Hoje, vou sair mais cedo, pois é o aniversário do Ivo."
Clarice sempre trabalhou muito e desde muito cedo. Fez o ginásio no Colégio Fernão Dias Paes, seguido do curso técnico de química industrial. Mas já traduzia livros de inglês e francês, para uma pequena editora, com a ajuda de dicionários e da troca de ideias com duas amigas. Na faculdade de ciências sociais, pela manhã dava expediente como química industrial; à tarde ia para a editoria internacional do jornal "Última Hora", onde trabalhou por dois anos, e, à noite, faculdade.
- O que acha da Comissão da Verdade?
- Sou absolutamente a favor da abertura de todos os arquivos. Mas defendo a punição dos culpados. Não anistio os torturadores. As pessoas que foram presas, assassinadas, estavam reagindo a um estado de exceção, a um golpe militar que derrubou um presidente eleito. Na Argentina, no Uruguai, no Chile, os golpistas foram punidos. Só no Brasil há perdão para a tortura política, um crime de lesa-humanidade, imprescritível.
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Repassando Luis Nassif e o ENEM
A mídia abaixo da média
Coluna Econômica - 14/09/2011
Poucas vezes se viu um episódio coletivo de mídia tão nonsense quanto o da divulgação dos resultados do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).
Os resultados foram dentro do esperado: melhoria de 10 pontos na média geral. Em 2009 o ENEM estava em 500 pontos. A meta era chegar ao longo da década em 600 pontos – o que significaria melhorar 10 pontos por ano. Apesar do aumento de inscritos – de 828 mil para 1,011 milhão – chegou-se aos 10 pontos.
De repente, o noticiário online foi invadido por estranhas manchetes: a de que a maioria dos alunos do ENEM tinha ficado “abaixo da média”. O jornal O Globo foi fulminante: “Mais da metade dos estudantes ficou abaixo da média do Enem 2010”. Na UOL, não se deixou por menos: “Enem "reprova" 63,64% das escolas”. Esse número equivale àquelas que ficaram abaixo da média.
Criou-se um samba do crioulo doido. Na maioria absoluta das estatísticas, a tendência é se ter uma maioria abaixo da média. Se todos melhoram, a média melhora, mas sempre continuará tendo uma parte abaixo da média e outra acima.
Suponha uma classe de 7 pessoas, com 3 notas 5, 2 notas 4 e uma nota 3. A média será 4,28. Logo, 43% (três alunos) estarão acima da média e 57% (4 alunos) abaixo da média. Suponha agora que a classe melhore e fique com 2 notas 10 e 5 notas 7. A média será 7,86. Mas 71% dos alunos estarão abaixo da meta contra 29% acima.
Na entrevista coletiva sobre o ENEM, praticamente todos os jornalistas insistiam na informação de que a maioria das notas tinha sido abaixo da média. O samba endoidou tanto que a presidente Dilma Rousseff chamou o Ministro Fernando Haddad ao Palácio, para saber que loucura era aquela.
O diálogo foi mais ou menos assim:
Dilma: Haddad, como é isso? Eles estão dando que há muitas escolas abaixo da média. Como surgiu essa confusão? Não sabem o que é a média em uma estatística?
Haddad – Presidente, o que posso fazer? Passei a tarde explicando para eles o conceito de média na estatística. Tentei explicar o que era uma distribuição estatística, que em geral forma uma curva, que a média (média aritmética de um conjunto de números) e a mediana (maior frequência de números na amostragem) são muito próximas, mas pareciam não entender. Cheguei a sugerir que ligassem para um matemático, um estatístico para se informarem, porque daqui a vinte, trinta, cinquenta anos, vão fazer a mesma conta (do percentual de notas abaixo da média) e vai dar a mesma coisa.
Foi em vão. Dilma encerrou a conversa dizendo que iriam especular que a convocação de Haddad ao Palácio teria sido para se explicar.
Chamou o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, presente à reunião, e pediu que desse uma entrevista informando que a presidente tinha ficado satisfeita com o resultado e manifestava sua preocupação com a confusão que a imprensa fizera com o conceito de média.
Pediu ainda que Vacarezza fizesse uma última tentativa de explicar o que era média aritmética.
Vacarezza explicou. Mas a confusão aumentou mais ainda.
Coluna Econômica - 14/09/2011
Poucas vezes se viu um episódio coletivo de mídia tão nonsense quanto o da divulgação dos resultados do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio).
Os resultados foram dentro do esperado: melhoria de 10 pontos na média geral. Em 2009 o ENEM estava em 500 pontos. A meta era chegar ao longo da década em 600 pontos – o que significaria melhorar 10 pontos por ano. Apesar do aumento de inscritos – de 828 mil para 1,011 milhão – chegou-se aos 10 pontos.
De repente, o noticiário online foi invadido por estranhas manchetes: a de que a maioria dos alunos do ENEM tinha ficado “abaixo da média”. O jornal O Globo foi fulminante: “Mais da metade dos estudantes ficou abaixo da média do Enem 2010”. Na UOL, não se deixou por menos: “Enem "reprova" 63,64% das escolas”. Esse número equivale àquelas que ficaram abaixo da média.
Criou-se um samba do crioulo doido. Na maioria absoluta das estatísticas, a tendência é se ter uma maioria abaixo da média. Se todos melhoram, a média melhora, mas sempre continuará tendo uma parte abaixo da média e outra acima.
Suponha uma classe de 7 pessoas, com 3 notas 5, 2 notas 4 e uma nota 3. A média será 4,28. Logo, 43% (três alunos) estarão acima da média e 57% (4 alunos) abaixo da média. Suponha agora que a classe melhore e fique com 2 notas 10 e 5 notas 7. A média será 7,86. Mas 71% dos alunos estarão abaixo da meta contra 29% acima.
Na entrevista coletiva sobre o ENEM, praticamente todos os jornalistas insistiam na informação de que a maioria das notas tinha sido abaixo da média. O samba endoidou tanto que a presidente Dilma Rousseff chamou o Ministro Fernando Haddad ao Palácio, para saber que loucura era aquela.
O diálogo foi mais ou menos assim:
Dilma: Haddad, como é isso? Eles estão dando que há muitas escolas abaixo da média. Como surgiu essa confusão? Não sabem o que é a média em uma estatística?
Haddad – Presidente, o que posso fazer? Passei a tarde explicando para eles o conceito de média na estatística. Tentei explicar o que era uma distribuição estatística, que em geral forma uma curva, que a média (média aritmética de um conjunto de números) e a mediana (maior frequência de números na amostragem) são muito próximas, mas pareciam não entender. Cheguei a sugerir que ligassem para um matemático, um estatístico para se informarem, porque daqui a vinte, trinta, cinquenta anos, vão fazer a mesma conta (do percentual de notas abaixo da média) e vai dar a mesma coisa.
Foi em vão. Dilma encerrou a conversa dizendo que iriam especular que a convocação de Haddad ao Palácio teria sido para se explicar.
Chamou o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza, presente à reunião, e pediu que desse uma entrevista informando que a presidente tinha ficado satisfeita com o resultado e manifestava sua preocupação com a confusão que a imprensa fizera com o conceito de média.
Pediu ainda que Vacarezza fizesse uma última tentativa de explicar o que era média aritmética.
Vacarezza explicou. Mas a confusão aumentou mais ainda.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Dinheiro Vivo - Luis Nassif
De Luis Nassif, na coluna Dinheiro Vivo
Como combater a corrupção
Coluna Econômica - 19/08/2011
Em sua carta de demissão do Ministério da Agricultura, Wagner Rossi denuncia a onda de escândalos que se abateu sobre ele. É um documento para se ler e refletir.
Durante semanas foi exposto a denúncias diárias. Seu rosto tornou-se capa da Veja, com retoques para que parecesse um desses vilões de filmes de Batman.
Segundo a carta, auxiliares dele foram procurados por repórteres com propostas típicas do estilo Murdoch: seriam poupados de denúncias se topassem denunciar o chefe. Em nenhum momento foi-lhe dado direito de resposta.
Ficaram expostos família, filhos, amigos. Seus netos passaram a ser discriminados na escola. Enquanto não pedisse demissão, não cessaria esse suplício.
Ele atribui a campanha a José Serra, segundo ele único político capaz de utilizar a revista "Veja" e a "Folha" para esses ataques. A intenção seria política: destruir a aliança com o PMDB que garante a tranquilidade política do governo Dilma Rousseff.
***
Nesses festivais de denúncias, jamais há a intenção de resolver problemas estruturais, eliminar vazamentos, corrigir desvios. Alguns veículos dependem fundamentalmente de denúncias para obter sobrevida editorial, intimidar adversários. Interessa passar a ideia de que a corrupção é endêmica, existe por toda a parte e que os veículos são os guardiões da moralidade.
***
O caminho para se corrigir desvios existe e é frequentemente deixado de lado porque não rende matérias e foge ao objetivo de usar as denúncias politicamente.
O primeiro passo é identificar os setores vulneráveis, aqueles em que é mais pulverizada a distribuição de recursos. Fazem parte dessas áreas críticas a Funasa, o DNIT, a Conab, os convênios públicos. Recentemente, o jornal "O Globo" publicou boa matéria sobre essas áreas críticas.
O segundo passo é mudar os processos internos desses órgãos, parametrizando - isto é, definindo parâmetros para cada processo, seja a assinatura de um contrato, um convênio ou a compra de um produto.
A partir daí, informatizam-se os processos e passa-se a ter controle sobre a situação, identificando responsáveis por liberações, comparando preços, mapeando o fluxo de liberação dentro de cada ministério.
***
Assim que assumiu o governo, Dilma encomendou ao empresário Jorge Gerdau um trabalho visando a parametrização dos processos na Funasa. A constituição da Câmara de Gestão tem por objetivo a identificação dessas áreas críticas.
***
Ontem palestrei em um Seminário da Secretaria de Finanças de Fortaleza. O Secretário Alexandre Cialdini é presidente da Associação dos Secretários de Finanças de Capitais. Recentemente, recebeu relatório do Banco Mundial considerando que o Brasil como um todo - governos federal, estaduais e municipais - tem um dos modelos mais transparentes de informações do setor público.
Agora, tem que se avançar na implantação de procedimentos nas áreas críticas das administrações públicas em geral. E, principalmente, tem que se montar na sociedade civil observatórios capazes de trabalhar esses dados e produzir alertas.
Com isso se acabará com a indústria da corrupção - uma praga que beneficia apenas corrompidos, corruptores e denunciadores.
Como combater a corrupção
Coluna Econômica - 19/08/2011
Em sua carta de demissão do Ministério da Agricultura, Wagner Rossi denuncia a onda de escândalos que se abateu sobre ele. É um documento para se ler e refletir.
Durante semanas foi exposto a denúncias diárias. Seu rosto tornou-se capa da Veja, com retoques para que parecesse um desses vilões de filmes de Batman.
Segundo a carta, auxiliares dele foram procurados por repórteres com propostas típicas do estilo Murdoch: seriam poupados de denúncias se topassem denunciar o chefe. Em nenhum momento foi-lhe dado direito de resposta.
Ficaram expostos família, filhos, amigos. Seus netos passaram a ser discriminados na escola. Enquanto não pedisse demissão, não cessaria esse suplício.
Ele atribui a campanha a José Serra, segundo ele único político capaz de utilizar a revista "Veja" e a "Folha" para esses ataques. A intenção seria política: destruir a aliança com o PMDB que garante a tranquilidade política do governo Dilma Rousseff.
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Nesses festivais de denúncias, jamais há a intenção de resolver problemas estruturais, eliminar vazamentos, corrigir desvios. Alguns veículos dependem fundamentalmente de denúncias para obter sobrevida editorial, intimidar adversários. Interessa passar a ideia de que a corrupção é endêmica, existe por toda a parte e que os veículos são os guardiões da moralidade.
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O caminho para se corrigir desvios existe e é frequentemente deixado de lado porque não rende matérias e foge ao objetivo de usar as denúncias politicamente.
O primeiro passo é identificar os setores vulneráveis, aqueles em que é mais pulverizada a distribuição de recursos. Fazem parte dessas áreas críticas a Funasa, o DNIT, a Conab, os convênios públicos. Recentemente, o jornal "O Globo" publicou boa matéria sobre essas áreas críticas.
O segundo passo é mudar os processos internos desses órgãos, parametrizando - isto é, definindo parâmetros para cada processo, seja a assinatura de um contrato, um convênio ou a compra de um produto.
A partir daí, informatizam-se os processos e passa-se a ter controle sobre a situação, identificando responsáveis por liberações, comparando preços, mapeando o fluxo de liberação dentro de cada ministério.
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Assim que assumiu o governo, Dilma encomendou ao empresário Jorge Gerdau um trabalho visando a parametrização dos processos na Funasa. A constituição da Câmara de Gestão tem por objetivo a identificação dessas áreas críticas.
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Ontem palestrei em um Seminário da Secretaria de Finanças de Fortaleza. O Secretário Alexandre Cialdini é presidente da Associação dos Secretários de Finanças de Capitais. Recentemente, recebeu relatório do Banco Mundial considerando que o Brasil como um todo - governos federal, estaduais e municipais - tem um dos modelos mais transparentes de informações do setor público.
Agora, tem que se avançar na implantação de procedimentos nas áreas críticas das administrações públicas em geral. E, principalmente, tem que se montar na sociedade civil observatórios capazes de trabalhar esses dados e produzir alertas.
Com isso se acabará com a indústria da corrupção - uma praga que beneficia apenas corrompidos, corruptores e denunciadores.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Carta do seu Raimundo
Vejam só, carta do Seu Raimundo para a presidente Dilma. Ele pediu-me para escrever melhor. Não foi possível pois acho que perderia genuinidade e por isso segue na íntegra:
Brasília, 17 de fevereiro de 2011
Att: Gabinete do Palácio do Planalto
Excelentíssima presidente Dilma Roussef,
Tendo em vista o Programa Governamental, lançado em novembro de 2003, com o desafio de acabar com a exclusão elétrica noPaís (Programa Luz para Todos), cuja meta seria a de levar energia elétrica para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural, programa este de sua autoria, que foi coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, operacionalizado pela Eletrobrás e executada pelas concessionárias de energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural e que já recebeu do Governo Federal bilhões provenientes de fundos setoriais de energia. Venho lhe informar, contudo, uma triste realidade.
O mapa da exclusão elétrica no País revela que as famílias sem acesso à energia estão majoritariamente nas localidades de menor índice de desenvolvimento humano e nas famílias de baixa renda. Cerca de 90% dessas famílias tem renda inferior a três salários mínimos e 80% estão no meio rural.
Sei que o seu governo tem ciência disso e que tem como objetivo utilizar a energia como vetor de desenvolvimento social e econômico destas comunidades, contribuindo para a redução da pobreza e aumento da renda familiar, pois a chegada de energia elétrica facilitará a integração dos programas sociais do Governo Federal, além de acesso a serviços de saúde, educação, abastecimento de água e saneamento.
Por tudo isso, que nós moradores da zona rural do município de Cristalina-PI, viemos através desta pedir para vossa excelência que NOS AJUDE, pois seu governo, desde o governo Lula, é o único que tem OLHADO PARA O POVO NORDESTINO, comunidades que NÃO POSSUEM ENERGIA ELÉTRICA. Em Vila Nova, são aproximadamente 60 casas sem energia elétrica, Burro Velho, Cabaceiro, Gameleira, Macaúba.
Os moradores desta comunidade já estão cansados de reivindicar junto ao Governo Federal, desde o início deste pograma o acesso a energia elétrica, e o problema é sempre encaminhado ao Ministério de Minas e Energia (Programa Luza para Todos) que nunca toma nenhuma providência em prol de resolver essa situação. Enquanto isso, nós moradores, somos totalmente prejudicados, pois sem luz não é possível ter acesso aos meios de comunicação, e nem a benfícios básicos que esta pode proporcionar.
Ao entrar em contato com o Ministério deMinas e Energia, conversei com o Diretor Marcelo, responsável pelo programa. O mesmo me comunicou que o Consórcio Venâncio havia ganho a licitação para a conclusão das obras, às quais deveriam ter início em novembro de 2010. Fui comunicado do telefone do engenheiro do consórcio (SR. Hebraim - (86) 9925-0286). Entrando em contato com o engenheiro, este me garantiu que realmente as obras teriam início em novembro. Contudo, até o início de 2011 as obras não tiveram início. Em janeiro, entrei em contato novamente, e o engenheiro me comunicou que o início das obras foi adiado, mas logo seriam iniciadas. Até o presente momento, nada ainda foi feito.*
Fui novamente ao Ministério de Minas e Energia a fim de falar com o sr. Marcelo e ouvi as mesmas histórias de sempre, às quais resumem-se somente a promessas. Comuniquei ao Diretor Marceloque levaria essa situação ao conhecimento da presidente e este me disse: "É bom que faça isso". Senhora presidente, por várias vezes recebi comunicados via correios e até mesmo SEDEX de que as obras terão início, vou até a comunidade e comunico a todos, despertando-lhes a esperança, e tais promessas nunca são cumpridas. Já estamos todos cansados de aguardar por uma solução.
Lembro a presidente a comovente história de uma senhora do Ceará, que durante anos viveu sem ter acesso à energia elétrica. Sua única fonte de luz era o Sol, e quando este se punha, sua vida era escuridão. Prém, tudo mudou quando o Programa Luz para Todos a beneficiou, dentre muitos outros. Certo dia, seu marido a questionou o motivo pelo qual, ao invés de ir dormir, ela passava a noite acendendo as luzes da casa onde morava, e ela lhe respondeu prontamente que era porque nunca em sua vida tivera a oportunidade de ver seus filhos dormirem, e agora ela podia fazê-lo.
Assim, como a comovente história dessa senhora, muitas outras famílias padecem da mesma necessidade, e de tantas outras.
Senhora presidente, sou conhecedor de várias de suas ações e projetos frente à presidência, e esto certo de que vossa excelência irá nos ajudar, por isso, desde já agradeço e lhe felicito por tudo o que tem feito. Nós brasileiros estamos todos muito orgulhosos de termos uma presidente como a Senhora, a primeira mulher a atingir este posto no Brasil.
Termino aqui desejando-lhe um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, como também a sua família.
Atenciosamente,
Raimundo Nonato Alves
QNN 21 Conjunto "P" Casa 26
Ceilândia Norte-DF - 72225-226
3585-2782/96310450
*A situação permanece a mesma desde a época que a carta foi escrita.
Brasília, 17 de fevereiro de 2011
Att: Gabinete do Palácio do Planalto
Excelentíssima presidente Dilma Roussef,
Tendo em vista o Programa Governamental, lançado em novembro de 2003, com o desafio de acabar com a exclusão elétrica noPaís (Programa Luz para Todos), cuja meta seria a de levar energia elétrica para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural, programa este de sua autoria, que foi coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, operacionalizado pela Eletrobrás e executada pelas concessionárias de energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural e que já recebeu do Governo Federal bilhões provenientes de fundos setoriais de energia. Venho lhe informar, contudo, uma triste realidade.
O mapa da exclusão elétrica no País revela que as famílias sem acesso à energia estão majoritariamente nas localidades de menor índice de desenvolvimento humano e nas famílias de baixa renda. Cerca de 90% dessas famílias tem renda inferior a três salários mínimos e 80% estão no meio rural.
Sei que o seu governo tem ciência disso e que tem como objetivo utilizar a energia como vetor de desenvolvimento social e econômico destas comunidades, contribuindo para a redução da pobreza e aumento da renda familiar, pois a chegada de energia elétrica facilitará a integração dos programas sociais do Governo Federal, além de acesso a serviços de saúde, educação, abastecimento de água e saneamento.
Por tudo isso, que nós moradores da zona rural do município de Cristalina-PI, viemos através desta pedir para vossa excelência que NOS AJUDE, pois seu governo, desde o governo Lula, é o único que tem OLHADO PARA O POVO NORDESTINO, comunidades que NÃO POSSUEM ENERGIA ELÉTRICA. Em Vila Nova, são aproximadamente 60 casas sem energia elétrica, Burro Velho, Cabaceiro, Gameleira, Macaúba.
Os moradores desta comunidade já estão cansados de reivindicar junto ao Governo Federal, desde o início deste pograma o acesso a energia elétrica, e o problema é sempre encaminhado ao Ministério de Minas e Energia (Programa Luza para Todos) que nunca toma nenhuma providência em prol de resolver essa situação. Enquanto isso, nós moradores, somos totalmente prejudicados, pois sem luz não é possível ter acesso aos meios de comunicação, e nem a benfícios básicos que esta pode proporcionar.
Ao entrar em contato com o Ministério deMinas e Energia, conversei com o Diretor Marcelo, responsável pelo programa. O mesmo me comunicou que o Consórcio Venâncio havia ganho a licitação para a conclusão das obras, às quais deveriam ter início em novembro de 2010. Fui comunicado do telefone do engenheiro do consórcio (SR. Hebraim - (86) 9925-0286). Entrando em contato com o engenheiro, este me garantiu que realmente as obras teriam início em novembro. Contudo, até o início de 2011 as obras não tiveram início. Em janeiro, entrei em contato novamente, e o engenheiro me comunicou que o início das obras foi adiado, mas logo seriam iniciadas. Até o presente momento, nada ainda foi feito.*
Fui novamente ao Ministério de Minas e Energia a fim de falar com o sr. Marcelo e ouvi as mesmas histórias de sempre, às quais resumem-se somente a promessas. Comuniquei ao Diretor Marceloque levaria essa situação ao conhecimento da presidente e este me disse: "É bom que faça isso". Senhora presidente, por várias vezes recebi comunicados via correios e até mesmo SEDEX de que as obras terão início, vou até a comunidade e comunico a todos, despertando-lhes a esperança, e tais promessas nunca são cumpridas. Já estamos todos cansados de aguardar por uma solução.
Lembro a presidente a comovente história de uma senhora do Ceará, que durante anos viveu sem ter acesso à energia elétrica. Sua única fonte de luz era o Sol, e quando este se punha, sua vida era escuridão. Prém, tudo mudou quando o Programa Luz para Todos a beneficiou, dentre muitos outros. Certo dia, seu marido a questionou o motivo pelo qual, ao invés de ir dormir, ela passava a noite acendendo as luzes da casa onde morava, e ela lhe respondeu prontamente que era porque nunca em sua vida tivera a oportunidade de ver seus filhos dormirem, e agora ela podia fazê-lo.
Assim, como a comovente história dessa senhora, muitas outras famílias padecem da mesma necessidade, e de tantas outras.
Senhora presidente, sou conhecedor de várias de suas ações e projetos frente à presidência, e esto certo de que vossa excelência irá nos ajudar, por isso, desde já agradeço e lhe felicito por tudo o que tem feito. Nós brasileiros estamos todos muito orgulhosos de termos uma presidente como a Senhora, a primeira mulher a atingir este posto no Brasil.
Termino aqui desejando-lhe um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, como também a sua família.
Atenciosamente,
Raimundo Nonato Alves
QNN 21 Conjunto "P" Casa 26
Ceilândia Norte-DF - 72225-226
3585-2782/96310450
*A situação permanece a mesma desde a época que a carta foi escrita.
sábado, 28 de maio de 2011
As pautas
A grande mídia vive de produzir escândalos e fatos de repercussão larga, mas barata. Há dois comentários do Luis Nassif, na coluna Dinheiro Vivo, que merecem atenção: a publicação do livro que "ensina" português errado e as próprias pautas dos jornais.
Quando a crise de 2009 eclodiu, muito poucos pensaram em novos modelos, a correria é para salvar o modelo.
Quanto aos escândalos - a maior parte falsificado - fica a mídia à mercê das novidades. A grande mídia está perdendo espaço não porquê os novos veículos são mais ágeis, mas porquê paradoxalmente, são mais confiáveis, pois são mais brutos. Você tem a perfeita noção de que deve refletir sobre o fato e não lê-lo como se fosse um analfabeto da consciência.
Mudar para quê?
Quando a crise de 2009 eclodiu, muito poucos pensaram em novos modelos, a correria é para salvar o modelo.
Quanto aos escândalos - a maior parte falsificado - fica a mídia à mercê das novidades. A grande mídia está perdendo espaço não porquê os novos veículos são mais ágeis, mas porquê paradoxalmente, são mais confiáveis, pois são mais brutos. Você tem a perfeita noção de que deve refletir sobre o fato e não lê-lo como se fosse um analfabeto da consciência.
Mudar para quê?
domingo, 22 de maio de 2011
O Blog. Quem?
Caramba! As vezes as coisas mais simples ficam complicadas. Comecei a fazer os posts, mas ficaram na mesma posição - Primeira linha. Não sei se é um aviso do além... Sigamos. Os primeiros foram colagens que fiz de correios que recebi.
domingo, 8 de maio de 2011
Primeira Linha
Sempre a mais difícil, a primeira linha sofre para ser escrita. Lá se foi, então, a meta-primeira linha.
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