Pessoal,
Para quem quiser ver, tem de tudo: comentários, replies de outros textos e pedaços de blogs. Tende a ser meio confuso. Será que é a minha cara? Nããão! É a modernidade mesmo.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Pensai por nós, pescadores
Histórias têm o poder de influenciar de maneira invencível.
Ouvi, de um grande amigo, e competente professor, uma história. Poderia ser chamada de fábula há tempos atrás. Parece que esta tem o dom de pregar uma lição de moral, que pelo fato de ser bem enfeitada com sonhos e caramelos, tende a ter grande poder na imaginação da gente. O teor indutivo é outro vinco importante, é aí que pode morrer o senso crítico.
A história dizia (como é pequena, dá para encarar):
Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém, as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais que alguns dias, o peixe não era mais fresco.
Os japoneses não gostaram do gosto destes peixes. para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto-mar por muito mais tempo.
Os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado. Entretanto o peixe congelado tornou os preços mais baixos. Então as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar os peixes nos tanques como "sardinhas".
Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam vivos, porém cansados e abatidos. Infelizmente os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor.
Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático. Como os japoneses resolveram esse problema? Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor?
Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques, nos barcos. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo" e fresco no desembarque. Tudo porque os peixes são desafiados, lá nos tanques. Portanto, como norma de vida, ao invés de evitar desafios, pule dentro deles. Massacre-os. Curta o jogo.
Bom, eu de novo. Tentando raciocinar. Tem algo esquisito nessa história. Os japoneses sabem distinguir as nuances de todos os paladares, inclusive do estado de espírito. Claro, são quimicamente ativos e, portanto, alteram o paladar da comida. O estranho é notar que os japoneses preferem o sabor de peixes amedrontados do que o de apáticos. Será sadismo?
Pule dentro, massacre! Boa ideia! Vamos ensinar os peixer a fazer isso?
Consciência competitiva (pode usar um bonequinho do Justus) fala para o peixe: _Tá vendo aquele sujeito ali de ollhar vidrado e paranóico? Pois é, acho que você dá conta dele, não acha? Vai lá, pô! Dá uma esquiva e, pôu! Dá um murro com sua cauda na guelra do bonitão. Tá no papo! Aí, tu fica tranquilo até o fim da viagem.
O peixe (um potencial guerreiro, pode usar o boneco do Nemo): _ Tem certeza, J? O cara parece chapado... Será que ele tomou alguma coisa, comeu algum jamaicano defumado?
J: _ Que nada, vai lá...
A chance do Nemo contra o tubarão, pré-histórico destroçador de qualquer coisa que mexa (já acharam até placa de automóvel em estômago dos bichinhos), é consistente como uma água-viva. Mas, há outra estratégia também. Visto que o tubarão come "alguns" peixes, você pode convencer seus colegas de filo, espécie ou família (deve haver mais de uma espécie no tanque), a irem na frente enquanto você cuida da estratégia.
Ao contrário do que se prega, ao se apropriar desse conceito, o mundo corporativo pretende que não se perceba as diferenças entre as situações da natureza e do trabalho. Em situações naturais, o equilíbrio entre as espécies e seus vizinhos são aparentemente harmônicas. A moral da competitividade não é como na natureza. A analogia é forçada. Lançamos mão dela para acomodar a moral a ser "entendida".
O peixe vive (como todo bicho na natureza) em estado de alerta, que é uma atenção ao que se passa. Em alguns momentos, fica até feliz e - pasme! - brinca. Muito diferente do medo de ser atacado por um tubarão o tempo todo.
Ora bolas, recentemente, o "mercado" incutiu nas pessoas a ideia de "sobrevivência" no mercado de trabalho. Por que esta perspectiva prevaleceu? Quem são os pequenos tubarões? Quem são os peixes comidos? Eles valem o sabor do sashimi?
Na situação de estresse, o corpo fica mais produtivo: mais atento, mais rápido, mais forte para que se defenda melhor. No entanto, há um custo: o estresse desgasta o organismo. O excesso de situações de estresse, ou sua intensidade, pode causar muitos prejuízos à saúde. Bois morrem no caminho do matadouro por estresse.
Põe outro no lugar, ora! Pede para sair!
Ouvi, de um grande amigo, e competente professor, uma história. Poderia ser chamada de fábula há tempos atrás. Parece que esta tem o dom de pregar uma lição de moral, que pelo fato de ser bem enfeitada com sonhos e caramelos, tende a ter grande poder na imaginação da gente. O teor indutivo é outro vinco importante, é aí que pode morrer o senso crítico.
A história dizia (como é pequena, dá para encarar):
Os japoneses sempre adoraram peixe fresco. Porém, as águas perto do Japão não produzem muitos peixes há décadas. Assim, para alimentar a sua população, os japoneses aumentaram o tamanho dos navios pesqueiros e começaram a pescar mais longe do que nunca. Quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar. Se a viagem de volta levasse mais que alguns dias, o peixe não era mais fresco.
Os japoneses não gostaram do gosto destes peixes. para resolver este problema, as empresas de pesca instalaram congeladores em seus barcos. Eles pescavam e congelavam os peixes em alto-mar. os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem mais longe e ficassem em alto-mar por muito mais tempo.
Os japoneses conseguiram notar a diferença entre peixe fresco e peixe congelado e, é claro, eles não gostaram do peixe congelado. Entretanto o peixe congelado tornou os preços mais baixos. Então as empresas de pesca instalaram tanques de peixe nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar e enfiar os peixes nos tanques como "sardinhas".
Depois de certo tempo, pela falta de espaço, eles paravam de se debater e não se moviam mais. Eles chegavam vivos, porém cansados e abatidos. Infelizmente os japoneses ainda podiam notar a diferença do gosto. Por não se mexerem por dias, os peixes perdiam o gosto de frescor.
Os japoneses preferiam o gosto de peixe fresco e não o gosto de peixe apático. Como os japoneses resolveram esse problema? Como eles conseguiram trazer ao Japão peixes com gosto de puro frescor?
Para conservar o gosto de peixe fresco, as empresas de pesca japonesas ainda colocam os peixes dentro de tanques, nos barcos. Mas, eles também adicionam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão come alguns peixes, mas a maioria dos peixes chega "muito vivo" e fresco no desembarque. Tudo porque os peixes são desafiados, lá nos tanques. Portanto, como norma de vida, ao invés de evitar desafios, pule dentro deles. Massacre-os. Curta o jogo.
Bom, eu de novo. Tentando raciocinar. Tem algo esquisito nessa história. Os japoneses sabem distinguir as nuances de todos os paladares, inclusive do estado de espírito. Claro, são quimicamente ativos e, portanto, alteram o paladar da comida. O estranho é notar que os japoneses preferem o sabor de peixes amedrontados do que o de apáticos. Será sadismo?
Pule dentro, massacre! Boa ideia! Vamos ensinar os peixer a fazer isso?
Consciência competitiva (pode usar um bonequinho do Justus) fala para o peixe: _Tá vendo aquele sujeito ali de ollhar vidrado e paranóico? Pois é, acho que você dá conta dele, não acha? Vai lá, pô! Dá uma esquiva e, pôu! Dá um murro com sua cauda na guelra do bonitão. Tá no papo! Aí, tu fica tranquilo até o fim da viagem.
O peixe (um potencial guerreiro, pode usar o boneco do Nemo): _ Tem certeza, J? O cara parece chapado... Será que ele tomou alguma coisa, comeu algum jamaicano defumado?
J: _ Que nada, vai lá...
A chance do Nemo contra o tubarão, pré-histórico destroçador de qualquer coisa que mexa (já acharam até placa de automóvel em estômago dos bichinhos), é consistente como uma água-viva. Mas, há outra estratégia também. Visto que o tubarão come "alguns" peixes, você pode convencer seus colegas de filo, espécie ou família (deve haver mais de uma espécie no tanque), a irem na frente enquanto você cuida da estratégia.
Ao contrário do que se prega, ao se apropriar desse conceito, o mundo corporativo pretende que não se perceba as diferenças entre as situações da natureza e do trabalho. Em situações naturais, o equilíbrio entre as espécies e seus vizinhos são aparentemente harmônicas. A moral da competitividade não é como na natureza. A analogia é forçada. Lançamos mão dela para acomodar a moral a ser "entendida".
O peixe vive (como todo bicho na natureza) em estado de alerta, que é uma atenção ao que se passa. Em alguns momentos, fica até feliz e - pasme! - brinca. Muito diferente do medo de ser atacado por um tubarão o tempo todo.
Ora bolas, recentemente, o "mercado" incutiu nas pessoas a ideia de "sobrevivência" no mercado de trabalho. Por que esta perspectiva prevaleceu? Quem são os pequenos tubarões? Quem são os peixes comidos? Eles valem o sabor do sashimi?
Na situação de estresse, o corpo fica mais produtivo: mais atento, mais rápido, mais forte para que se defenda melhor. No entanto, há um custo: o estresse desgasta o organismo. O excesso de situações de estresse, ou sua intensidade, pode causar muitos prejuízos à saúde. Bois morrem no caminho do matadouro por estresse.
Põe outro no lugar, ora! Pede para sair!
domingo, 16 de setembro de 2012
O tercerio veredicto
Escrito entre 10 e 16 de setembro de 2012
Hoje é dia dez de setembro de 2012, são 19h40 mais ou menos e acabo de assistir a peça Doze Homens e uma Sentença no CCBB Brasília (original 12 Angry Men). Já havia visto o filme. O texto é brilhante, o roteiro idem, o argumento é épico. Saí do teatro com a pulga atrás da orelha (Não. Não peguei pulgas lá!)
A peça retrata uma situação de tribunal na qual doze jurados devem sentenciar um réu acusado de homicídio em primeiro grau. Na regra daquele julgamento, o resultado havia de ser unânime. Todos teriam que estar convencidos do mesmo veredicto. Essa regra é a mola impulsora da moral contida na história: a força da virtude do pensamento em favor da justiça.
A pulga me susurrou: por que, na versão para o português, os veredictos guilty ou not guilty foram traduzidos para culpado ou inocente? Em inglês, os resultados são “culpado” e “não culpado”1. A reflexão me soa bem, quando pensamos que não há somente “culpado” e “inocente” como resultados da questão (havia usado “dilema”, mas dilema só admite duas posições).
O fato que apresenta o drama é a quase unanimidade. Onze a um a favor da condenação. Na opinião dos onze, “os fatos são claros”, “não há dúvidas”, ‘o advogado é excelente” etc. Esse é o primeiro momento do espetáculo. No filme, o oitavo jurado repete exaustivamente que não quer dizer com suas argumentações que o réu é inocente, mas que não há evidências para seja considerado culpado.
Os jurados são cidadãos comuns, escolhidos entre a população e revelam suas primeiras convicções baseados nas ofertas do promotor. À medida em que o tempo passa, vão ouvindo as argumentações do 8º jurado, que os faz rever suas certezas uma a uma, chegando ao final a um resultado surpreendente.
Há, no desenrolar da história, uma adesão crescente ao espírito crítico pelos demais jurados, que acabam se empenhando em fazer verificações mais detalhadas das evidências. Descobrem que algumas posições estão contaminadas, por exemplo, por experiências pessoais traumáticas.
Corta
Em minha cabeça, foi imediata a associação com o julgamento do dito “mensalão”. Fácil era, e é, de se perceber que o julgamento vinha acontecendo muito antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal. A mídia e alguns setores da sociedade já haviam vaticinado o destino dos réus. Afinal, foram sete anos de trabalhos árduos.
A quase unanimidade dos votos é intrigante sob vários aspectos. O mais notório, para mim, era que as denúncias careciam de provas substanciais, foi dito por muitas pessoas que se debruçaram sobre a denúncia, incluindo aí o próprio procurador (no caso de José Dirceu, o termo usado foi “tênues”, para adjetivar “provas”).
Por que, então, não houve mais polêmica? Depois de uma pequena diferença de visão, logo no primeiro voto, um dos Ministros foi execrado publicamente, além do pedido de réplica pelo relator (algo agressiva, diga-se). Nas redes sociais, a pecha de traidor foi repetida inumeramente (inventei, vale?) A partir daí, as decisões desenharam-se sempre à tendência por uma unanimidade (até agora, dia 15 de setembro).
Um dos ministros imputou aos réus o ônus da prova, pondo em questão o princípio chamado in dubio pro reo, princípio este que deve estar para completar uns 600 aninhos de idade (com vigor de adolescente). Diante da (quase) unanimidade sobre as fragilidades da peça de acusação, as dúvidas (que tenderiam a ser muitas) deveriam agir em direção aos réus. Não foi o que se viu.
O deputado João Paulo Cunha, foi condenado, mesmo que na base de sua acusação estivessem dados que não eram precisos. Ou, talvez pior, não verdadeiros, em contraste com os laudos do TCU e da PF conferindo conformidade ao contrato de publicidade com a Câmara dos Deputados - Lewandowski mostrou isso ponto-a-ponto logo no primeiro voto.
Há diversos depoimentos dos concorrentes da agência de Marcos Valério que atestaram pela boa conduta do processo e nenhum recurso foi movido por ocasião do resultado da concorrência. Por mais que seja ingenuidade acreditar em coincidências, não há fato que comprove o beneficiamento daquela empresa no processo licitatório. O dinheiro da Visanet é outro ponto que deveria ser controverso.
O que se desenha é uma ideia de “organização criminosa”, que há muito vem se construindo. O STF cumprirá sua função e ficará bem na fita (ou na peça). Quanto aos réus, a resignação já se fez presente.
Creio que o enredo está mais para 12 homens e um segredo. A diferença de 1 homem não deverá ser a única entre as situações.
George Mello, curioso e chato.
Hoje é dia dez de setembro de 2012, são 19h40 mais ou menos e acabo de assistir a peça Doze Homens e uma Sentença no CCBB Brasília (original 12 Angry Men). Já havia visto o filme. O texto é brilhante, o roteiro idem, o argumento é épico. Saí do teatro com a pulga atrás da orelha (Não. Não peguei pulgas lá!)
A peça retrata uma situação de tribunal na qual doze jurados devem sentenciar um réu acusado de homicídio em primeiro grau. Na regra daquele julgamento, o resultado havia de ser unânime. Todos teriam que estar convencidos do mesmo veredicto. Essa regra é a mola impulsora da moral contida na história: a força da virtude do pensamento em favor da justiça.
A pulga me susurrou: por que, na versão para o português, os veredictos guilty ou not guilty foram traduzidos para culpado ou inocente? Em inglês, os resultados são “culpado” e “não culpado”1. A reflexão me soa bem, quando pensamos que não há somente “culpado” e “inocente” como resultados da questão (havia usado “dilema”, mas dilema só admite duas posições).
O fato que apresenta o drama é a quase unanimidade. Onze a um a favor da condenação. Na opinião dos onze, “os fatos são claros”, “não há dúvidas”, ‘o advogado é excelente” etc. Esse é o primeiro momento do espetáculo. No filme, o oitavo jurado repete exaustivamente que não quer dizer com suas argumentações que o réu é inocente, mas que não há evidências para seja considerado culpado.
Os jurados são cidadãos comuns, escolhidos entre a população e revelam suas primeiras convicções baseados nas ofertas do promotor. À medida em que o tempo passa, vão ouvindo as argumentações do 8º jurado, que os faz rever suas certezas uma a uma, chegando ao final a um resultado surpreendente.
Há, no desenrolar da história, uma adesão crescente ao espírito crítico pelos demais jurados, que acabam se empenhando em fazer verificações mais detalhadas das evidências. Descobrem que algumas posições estão contaminadas, por exemplo, por experiências pessoais traumáticas.
Corta
Em minha cabeça, foi imediata a associação com o julgamento do dito “mensalão”. Fácil era, e é, de se perceber que o julgamento vinha acontecendo muito antes de chegar ao Supremo Tribunal Federal. A mídia e alguns setores da sociedade já haviam vaticinado o destino dos réus. Afinal, foram sete anos de trabalhos árduos.
A quase unanimidade dos votos é intrigante sob vários aspectos. O mais notório, para mim, era que as denúncias careciam de provas substanciais, foi dito por muitas pessoas que se debruçaram sobre a denúncia, incluindo aí o próprio procurador (no caso de José Dirceu, o termo usado foi “tênues”, para adjetivar “provas”).
Por que, então, não houve mais polêmica? Depois de uma pequena diferença de visão, logo no primeiro voto, um dos Ministros foi execrado publicamente, além do pedido de réplica pelo relator (algo agressiva, diga-se). Nas redes sociais, a pecha de traidor foi repetida inumeramente (inventei, vale?) A partir daí, as decisões desenharam-se sempre à tendência por uma unanimidade (até agora, dia 15 de setembro).
Um dos ministros imputou aos réus o ônus da prova, pondo em questão o princípio chamado in dubio pro reo, princípio este que deve estar para completar uns 600 aninhos de idade (com vigor de adolescente). Diante da (quase) unanimidade sobre as fragilidades da peça de acusação, as dúvidas (que tenderiam a ser muitas) deveriam agir em direção aos réus. Não foi o que se viu.
O deputado João Paulo Cunha, foi condenado, mesmo que na base de sua acusação estivessem dados que não eram precisos. Ou, talvez pior, não verdadeiros, em contraste com os laudos do TCU e da PF conferindo conformidade ao contrato de publicidade com a Câmara dos Deputados - Lewandowski mostrou isso ponto-a-ponto logo no primeiro voto.
Há diversos depoimentos dos concorrentes da agência de Marcos Valério que atestaram pela boa conduta do processo e nenhum recurso foi movido por ocasião do resultado da concorrência. Por mais que seja ingenuidade acreditar em coincidências, não há fato que comprove o beneficiamento daquela empresa no processo licitatório. O dinheiro da Visanet é outro ponto que deveria ser controverso.
O que se desenha é uma ideia de “organização criminosa”, que há muito vem se construindo. O STF cumprirá sua função e ficará bem na fita (ou na peça). Quanto aos réus, a resignação já se fez presente.
Creio que o enredo está mais para 12 homens e um segredo. A diferença de 1 homem não deverá ser a única entre as situações.
George Mello, curioso e chato.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Para o meu grande amigo.
Caro Camarada,
Diversos conhecidos, amigos e até alguns estranhos me enviaram mensagens. Fiquei me perguntando o motivo.
Como se já não soubesse, fui até o link para ver de onde vinha o tradicional texto do tipo "sou melhor, analiso e julgo". Curiosamente, os que mais criticam o partido e Lula não são os que votaram em Lula (exigem o quê mesmo, afinal?). A quem interessa essa argumentação? À Veja, claramente, pois sabe que 70% dos eleitores votariam em Lula em 2014 (#mêdo!). Reynaldo, da Veja (porta-voz dos negócios de Cachoeira), em minha opinião, pode até argumentar, mas devolvo a pergunta: de que barro são feitos Veja e o articulista (e Policarpo Jr etc.) Olhar o histórico recente da publicação e seus esparros já dá uma boa indicação de onde vem e para onde vão - para entrar no paralelimos bíblico. Discursos embolorados, argumentos surrados... Parece, sim, mais do mesmo.
Não arriscaria defender ou atacar o PT. Afinal, não sou partidário e não sei o que pretende. No entanto, os exercícios de política foram muito mais eficazes do que os exercícios de ideologia. O PT foi acusado interminavelmente de discussões filosóficas e ideológicas, radicalismo e outros tantos bichos. Pois é, parece que a lição política pós 98 falou mais alto com o Lulinha Paz e Amor, adorado por todos e aceito por toda a sociedade como o amadurecimento do partido e o abandono do discurso sectário - palavras do povo e dos analistas, principalmente os burgueses que nunca o toleraram. Cabe também a pergunta: não tem preço? Sarney, à época, virou socialista. O que acham os ingênuos?
Mas, seria capaz de afirmar que é uma jogada política de alto nível de atrevimento e coragem. Ou será que o povo acha que engolir sapo é esporte? Para fazer política, todos sabem, é necessário estômago de avestruz. O cacife político de Lula foi testado como aspirante do Bope. O presidente do Ibope foi categórico: "Lula não fará seu sucessor." O silêncio pode ser um bom aliado se a função não fosse a informação, mas a influência, no caso. Bom, Dilma foi eleita, mesmo sendo pouco conhecida, durona, sem carisma, sem experiência política e coisa e tal. Lembremos que Lula foi acusado do inverso: não ter experiência administrativa. Que Dilma tem de sobre e cresce todos os dias.
Ele deve imaginar, com toda a ignorância alardeada pelos meios de comunicação, que perderá uns percentuais de seu cacife (pelo menos uns cinco ou seis amigos meus), mas o que terá de retorno? O castelo paulistano é praia difícil para nordestinos corinthianos. Martha já esteve lá, Erundina também. Apanharam feito cachorro vadio (como Lula). Com os últimos eventos políticos, ficou um pouco mais difícil para o PT entrar lá. Creio que o projeto de ocupação do território nacional tem um objetivo difícil por ali. Maluf não entrará só com os seu minuto, mas com uma porta pela direita,que pode fazer diferença.
Pois bem, o assunto específico, Maluf. Maluf é um delinquente famigerado, como Daniel Dantas, protegido com unhas e dentes por Gilmar Mendes, mas por que fazer qualquer associação com o mito? Em minha humílima opinião, o último reduto da direita, o estado de SP é impermeável ao partido. Como fazer, sabendo que Haddad não irá ganhar a eleição? Penso que Maluf, completamente fora das perspectivas políticas vê uma pequena chance de voltar à cena. Logicamente, com um milionésimo da importância que já teve. Para o partido, uma porta de entrada em alguns rincões.
Caro Camarada,
Diversos conhecidos, amigos e até alguns estranhos me enviaram mensagens. Fiquei me perguntando o motivo.
Como se já não soubesse, fui até o link para ver de onde vinha o tradicional texto do tipo "sou melhor, analiso e julgo". Curiosamente, os que mais criticam o partido e Lula não são os que votaram em Lula (exigem o quê mesmo, afinal?). A quem interessa essa argumentação? À Veja, claramente, pois sabe que 70% dos eleitores votariam em Lula em 2014 (#mêdo!). Reynaldo, da Veja (porta-voz dos negócios de Cachoeira), em minha opinião, pode até argumentar, mas devolvo a pergunta: de que barro são feitos Veja e o articulista (e Policarpo Jr etc.) Olhar o histórico recente da publicação e seus esparros já dá uma boa indicação de onde vem e para onde vão - para entrar no paralelimos bíblico. Discursos embolorados, argumentos surrados... Parece, sim, mais do mesmo.
Não arriscaria defender ou atacar o PT. Afinal, não sou partidário e não sei o que pretende. No entanto, os exercícios de política foram muito mais eficazes do que os exercícios de ideologia. O PT foi acusado interminavelmente de discussões filosóficas e ideológicas, radicalismo e outros tantos bichos. Pois é, parece que a lição política pós 98 falou mais alto com o Lulinha Paz e Amor, adorado por todos e aceito por toda a sociedade como o amadurecimento do partido e o abandono do discurso sectário - palavras do povo e dos analistas, principalmente os burgueses que nunca o toleraram. Cabe também a pergunta: não tem preço? Sarney, à época, virou socialista. O que acham os ingênuos?
Mas, seria capaz de afirmar que é uma jogada política de alto nível de atrevimento e coragem. Ou será que o povo acha que engolir sapo é esporte? Para fazer política, todos sabem, é necessário estômago de avestruz. O cacife político de Lula foi testado como aspirante do Bope. O presidente do Ibope foi categórico: "Lula não fará seu sucessor." O silêncio pode ser um bom aliado se a função não fosse a informação, mas a influência, no caso. Bom, Dilma foi eleita, mesmo sendo pouco conhecida, durona, sem carisma, sem experiência política e coisa e tal. Lembremos que Lula foi acusado do inverso: não ter experiência administrativa. Que Dilma tem de sobre e cresce todos os dias.
Ele deve imaginar, com toda a ignorância alardeada pelos meios de comunicação, que perderá uns percentuais de seu cacife (pelo menos uns cinco ou seis amigos meus), mas o que terá de retorno? O castelo paulistano é praia difícil para nordestinos corinthianos. Martha já esteve lá, Erundina também. Apanharam feito cachorro vadio (como Lula). Com os últimos eventos políticos, ficou um pouco mais difícil para o PT entrar lá. Creio que o projeto de ocupação do território nacional tem um objetivo difícil por ali. Maluf não entrará só com os seu minuto, mas com uma porta pela direita,que pode fazer diferença.
Pois bem, o assunto específico, Maluf. Maluf é um delinquente famigerado, como Daniel Dantas, protegido com unhas e dentes por Gilmar Mendes, mas por que fazer qualquer associação com o mito? Em minha humílima opinião, o último reduto da direita, o estado de SP é impermeável ao partido. Como fazer, sabendo que Haddad não irá ganhar a eleição? Penso que Maluf, completamente fora das perspectivas políticas vê uma pequena chance de voltar à cena. Logicamente, com um milionésimo da importância que já teve. Para o partido, uma porta de entrada em alguns rincões.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
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