De Luis Nassif, na coluna Dinheiro Vivo
Como combater a corrupção
Coluna Econômica - 19/08/2011
Em sua carta de demissão do Ministério da Agricultura, Wagner Rossi denuncia a onda de escândalos que se abateu sobre ele. É um documento para se ler e refletir.
Durante semanas foi exposto a denúncias diárias. Seu rosto tornou-se capa da Veja, com retoques para que parecesse um desses vilões de filmes de Batman.
Segundo a carta, auxiliares dele foram procurados por repórteres com propostas típicas do estilo Murdoch: seriam poupados de denúncias se topassem denunciar o chefe. Em nenhum momento foi-lhe dado direito de resposta.
Ficaram expostos família, filhos, amigos. Seus netos passaram a ser discriminados na escola. Enquanto não pedisse demissão, não cessaria esse suplício.
Ele atribui a campanha a José Serra, segundo ele único político capaz de utilizar a revista "Veja" e a "Folha" para esses ataques. A intenção seria política: destruir a aliança com o PMDB que garante a tranquilidade política do governo Dilma Rousseff.
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Nesses festivais de denúncias, jamais há a intenção de resolver problemas estruturais, eliminar vazamentos, corrigir desvios. Alguns veículos dependem fundamentalmente de denúncias para obter sobrevida editorial, intimidar adversários. Interessa passar a ideia de que a corrupção é endêmica, existe por toda a parte e que os veículos são os guardiões da moralidade.
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O caminho para se corrigir desvios existe e é frequentemente deixado de lado porque não rende matérias e foge ao objetivo de usar as denúncias politicamente.
O primeiro passo é identificar os setores vulneráveis, aqueles em que é mais pulverizada a distribuição de recursos. Fazem parte dessas áreas críticas a Funasa, o DNIT, a Conab, os convênios públicos. Recentemente, o jornal "O Globo" publicou boa matéria sobre essas áreas críticas.
O segundo passo é mudar os processos internos desses órgãos, parametrizando - isto é, definindo parâmetros para cada processo, seja a assinatura de um contrato, um convênio ou a compra de um produto.
A partir daí, informatizam-se os processos e passa-se a ter controle sobre a situação, identificando responsáveis por liberações, comparando preços, mapeando o fluxo de liberação dentro de cada ministério.
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Assim que assumiu o governo, Dilma encomendou ao empresário Jorge Gerdau um trabalho visando a parametrização dos processos na Funasa. A constituição da Câmara de Gestão tem por objetivo a identificação dessas áreas críticas.
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Ontem palestrei em um Seminário da Secretaria de Finanças de Fortaleza. O Secretário Alexandre Cialdini é presidente da Associação dos Secretários de Finanças de Capitais. Recentemente, recebeu relatório do Banco Mundial considerando que o Brasil como um todo - governos federal, estaduais e municipais - tem um dos modelos mais transparentes de informações do setor público.
Agora, tem que se avançar na implantação de procedimentos nas áreas críticas das administrações públicas em geral. E, principalmente, tem que se montar na sociedade civil observatórios capazes de trabalhar esses dados e produzir alertas.
Com isso se acabará com a indústria da corrupção - uma praga que beneficia apenas corrompidos, corruptores e denunciadores.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Carta do seu Raimundo
Vejam só, carta do Seu Raimundo para a presidente Dilma. Ele pediu-me para escrever melhor. Não foi possível pois acho que perderia genuinidade e por isso segue na íntegra:
Brasília, 17 de fevereiro de 2011
Att: Gabinete do Palácio do Planalto
Excelentíssima presidente Dilma Roussef,
Tendo em vista o Programa Governamental, lançado em novembro de 2003, com o desafio de acabar com a exclusão elétrica noPaís (Programa Luz para Todos), cuja meta seria a de levar energia elétrica para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural, programa este de sua autoria, que foi coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, operacionalizado pela Eletrobrás e executada pelas concessionárias de energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural e que já recebeu do Governo Federal bilhões provenientes de fundos setoriais de energia. Venho lhe informar, contudo, uma triste realidade.
O mapa da exclusão elétrica no País revela que as famílias sem acesso à energia estão majoritariamente nas localidades de menor índice de desenvolvimento humano e nas famílias de baixa renda. Cerca de 90% dessas famílias tem renda inferior a três salários mínimos e 80% estão no meio rural.
Sei que o seu governo tem ciência disso e que tem como objetivo utilizar a energia como vetor de desenvolvimento social e econômico destas comunidades, contribuindo para a redução da pobreza e aumento da renda familiar, pois a chegada de energia elétrica facilitará a integração dos programas sociais do Governo Federal, além de acesso a serviços de saúde, educação, abastecimento de água e saneamento.
Por tudo isso, que nós moradores da zona rural do município de Cristalina-PI, viemos através desta pedir para vossa excelência que NOS AJUDE, pois seu governo, desde o governo Lula, é o único que tem OLHADO PARA O POVO NORDESTINO, comunidades que NÃO POSSUEM ENERGIA ELÉTRICA. Em Vila Nova, são aproximadamente 60 casas sem energia elétrica, Burro Velho, Cabaceiro, Gameleira, Macaúba.
Os moradores desta comunidade já estão cansados de reivindicar junto ao Governo Federal, desde o início deste pograma o acesso a energia elétrica, e o problema é sempre encaminhado ao Ministério de Minas e Energia (Programa Luza para Todos) que nunca toma nenhuma providência em prol de resolver essa situação. Enquanto isso, nós moradores, somos totalmente prejudicados, pois sem luz não é possível ter acesso aos meios de comunicação, e nem a benfícios básicos que esta pode proporcionar.
Ao entrar em contato com o Ministério deMinas e Energia, conversei com o Diretor Marcelo, responsável pelo programa. O mesmo me comunicou que o Consórcio Venâncio havia ganho a licitação para a conclusão das obras, às quais deveriam ter início em novembro de 2010. Fui comunicado do telefone do engenheiro do consórcio (SR. Hebraim - (86) 9925-0286). Entrando em contato com o engenheiro, este me garantiu que realmente as obras teriam início em novembro. Contudo, até o início de 2011 as obras não tiveram início. Em janeiro, entrei em contato novamente, e o engenheiro me comunicou que o início das obras foi adiado, mas logo seriam iniciadas. Até o presente momento, nada ainda foi feito.*
Fui novamente ao Ministério de Minas e Energia a fim de falar com o sr. Marcelo e ouvi as mesmas histórias de sempre, às quais resumem-se somente a promessas. Comuniquei ao Diretor Marceloque levaria essa situação ao conhecimento da presidente e este me disse: "É bom que faça isso". Senhora presidente, por várias vezes recebi comunicados via correios e até mesmo SEDEX de que as obras terão início, vou até a comunidade e comunico a todos, despertando-lhes a esperança, e tais promessas nunca são cumpridas. Já estamos todos cansados de aguardar por uma solução.
Lembro a presidente a comovente história de uma senhora do Ceará, que durante anos viveu sem ter acesso à energia elétrica. Sua única fonte de luz era o Sol, e quando este se punha, sua vida era escuridão. Prém, tudo mudou quando o Programa Luz para Todos a beneficiou, dentre muitos outros. Certo dia, seu marido a questionou o motivo pelo qual, ao invés de ir dormir, ela passava a noite acendendo as luzes da casa onde morava, e ela lhe respondeu prontamente que era porque nunca em sua vida tivera a oportunidade de ver seus filhos dormirem, e agora ela podia fazê-lo.
Assim, como a comovente história dessa senhora, muitas outras famílias padecem da mesma necessidade, e de tantas outras.
Senhora presidente, sou conhecedor de várias de suas ações e projetos frente à presidência, e esto certo de que vossa excelência irá nos ajudar, por isso, desde já agradeço e lhe felicito por tudo o que tem feito. Nós brasileiros estamos todos muito orgulhosos de termos uma presidente como a Senhora, a primeira mulher a atingir este posto no Brasil.
Termino aqui desejando-lhe um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, como também a sua família.
Atenciosamente,
Raimundo Nonato Alves
QNN 21 Conjunto "P" Casa 26
Ceilândia Norte-DF - 72225-226
3585-2782/96310450
*A situação permanece a mesma desde a época que a carta foi escrita.
Brasília, 17 de fevereiro de 2011
Att: Gabinete do Palácio do Planalto
Excelentíssima presidente Dilma Roussef,
Tendo em vista o Programa Governamental, lançado em novembro de 2003, com o desafio de acabar com a exclusão elétrica noPaís (Programa Luz para Todos), cuja meta seria a de levar energia elétrica para mais de 10 milhões de pessoas do meio rural, programa este de sua autoria, que foi coordenado pelo Ministério de Minas e Energia, operacionalizado pela Eletrobrás e executada pelas concessionárias de energia elétrica e cooperativas de eletrificação rural e que já recebeu do Governo Federal bilhões provenientes de fundos setoriais de energia. Venho lhe informar, contudo, uma triste realidade.
O mapa da exclusão elétrica no País revela que as famílias sem acesso à energia estão majoritariamente nas localidades de menor índice de desenvolvimento humano e nas famílias de baixa renda. Cerca de 90% dessas famílias tem renda inferior a três salários mínimos e 80% estão no meio rural.
Sei que o seu governo tem ciência disso e que tem como objetivo utilizar a energia como vetor de desenvolvimento social e econômico destas comunidades, contribuindo para a redução da pobreza e aumento da renda familiar, pois a chegada de energia elétrica facilitará a integração dos programas sociais do Governo Federal, além de acesso a serviços de saúde, educação, abastecimento de água e saneamento.
Por tudo isso, que nós moradores da zona rural do município de Cristalina-PI, viemos através desta pedir para vossa excelência que NOS AJUDE, pois seu governo, desde o governo Lula, é o único que tem OLHADO PARA O POVO NORDESTINO, comunidades que NÃO POSSUEM ENERGIA ELÉTRICA. Em Vila Nova, são aproximadamente 60 casas sem energia elétrica, Burro Velho, Cabaceiro, Gameleira, Macaúba.
Os moradores desta comunidade já estão cansados de reivindicar junto ao Governo Federal, desde o início deste pograma o acesso a energia elétrica, e o problema é sempre encaminhado ao Ministério de Minas e Energia (Programa Luza para Todos) que nunca toma nenhuma providência em prol de resolver essa situação. Enquanto isso, nós moradores, somos totalmente prejudicados, pois sem luz não é possível ter acesso aos meios de comunicação, e nem a benfícios básicos que esta pode proporcionar.
Ao entrar em contato com o Ministério deMinas e Energia, conversei com o Diretor Marcelo, responsável pelo programa. O mesmo me comunicou que o Consórcio Venâncio havia ganho a licitação para a conclusão das obras, às quais deveriam ter início em novembro de 2010. Fui comunicado do telefone do engenheiro do consórcio (SR. Hebraim - (86) 9925-0286). Entrando em contato com o engenheiro, este me garantiu que realmente as obras teriam início em novembro. Contudo, até o início de 2011 as obras não tiveram início. Em janeiro, entrei em contato novamente, e o engenheiro me comunicou que o início das obras foi adiado, mas logo seriam iniciadas. Até o presente momento, nada ainda foi feito.*
Fui novamente ao Ministério de Minas e Energia a fim de falar com o sr. Marcelo e ouvi as mesmas histórias de sempre, às quais resumem-se somente a promessas. Comuniquei ao Diretor Marceloque levaria essa situação ao conhecimento da presidente e este me disse: "É bom que faça isso". Senhora presidente, por várias vezes recebi comunicados via correios e até mesmo SEDEX de que as obras terão início, vou até a comunidade e comunico a todos, despertando-lhes a esperança, e tais promessas nunca são cumpridas. Já estamos todos cansados de aguardar por uma solução.
Lembro a presidente a comovente história de uma senhora do Ceará, que durante anos viveu sem ter acesso à energia elétrica. Sua única fonte de luz era o Sol, e quando este se punha, sua vida era escuridão. Prém, tudo mudou quando o Programa Luz para Todos a beneficiou, dentre muitos outros. Certo dia, seu marido a questionou o motivo pelo qual, ao invés de ir dormir, ela passava a noite acendendo as luzes da casa onde morava, e ela lhe respondeu prontamente que era porque nunca em sua vida tivera a oportunidade de ver seus filhos dormirem, e agora ela podia fazê-lo.
Assim, como a comovente história dessa senhora, muitas outras famílias padecem da mesma necessidade, e de tantas outras.
Senhora presidente, sou conhecedor de várias de suas ações e projetos frente à presidência, e esto certo de que vossa excelência irá nos ajudar, por isso, desde já agradeço e lhe felicito por tudo o que tem feito. Nós brasileiros estamos todos muito orgulhosos de termos uma presidente como a Senhora, a primeira mulher a atingir este posto no Brasil.
Termino aqui desejando-lhe um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo, como também a sua família.
Atenciosamente,
Raimundo Nonato Alves
QNN 21 Conjunto "P" Casa 26
Ceilândia Norte-DF - 72225-226
3585-2782/96310450
*A situação permanece a mesma desde a época que a carta foi escrita.
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